Quando não existiam piscinas aquecidas em Portugal

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Esta história da natação acontece nos anos de 1900. Nesta fase da época, já a natação emergia do marasmo que permaneceu durante larga temporada. O pioneirismo ainda existia como espírito de muitos dirigentes e nadadores, obrigados a trabalharem no sistema feito de limitações, que lhes era imposto: falta de piscinas, treinos nas docas, como em 1900, em tanques emprestados ou em recintos próprios, mas nitidamente insuficientes.

Quanto à água aquecida, só num hotel do Estoril e mais tarde em Algés. Ambos contribuíram muito para a história da natação portuguesa.

A voluntariedade dos desportistas amantes da natação contribuiu para que vários clubes se interessassem pela modalidade e ainda pela aprendizagem, de certa forma pressionados pelos associados.

Em Lisboa, destaque para o Ginásio Clube Português, o Casa Pia Atlético Clube, Algés, Adicense, Benfica, Sporting, o Carcavelinhos, o Sportivo Pedrouço, o Belenenses, a Associação Naval  de Lisboa, o Clube Naval de Lisboa e os vendedores dos jornais que tiveram equipas de natação  pura e polo aquático, até praticavam saltos para água, estes nas docas e dos mastros das fragatas e das proas dos navios Tejo.

Numa fase posterior começaram a surgir os nomes dos nadadores mais credenciados, como chamamento ao interesse dos miúdos pela natação.

A atualização dos treinos, a aproximação aos novos métodos científicos do ensino e treino não correspondeu uma explosão no domínio das instalações. Mas já se trabalhava numa base muito afastada do empirismo, embora se mantivesse, em alguns clubes, o autodidatismo, que até era salutar.

Depois dos ensinamentos de António Paula e de D. Margarida Paula e dos exemplos práticos de Azihais de Santos e Hermano Patroni e muitos outros que houve pelo país fora.

Foi quando surgiu no Algés a grande revolução no ensino em Portugal, por intermédio pelo Dr. SIntaro Yokochi, que veio para o Algés, por três meses como secretário técnico e ficou por cá vai em 60 anos.

Em 1958, a direção do Algés, por intermédio da Embaixada do Japão que entrou em contacto com o objetivo de encontrar um treinador de natação, calhou felizmente a pessoa mais indicada. Tinha-se acabado de se formar na Universidade de Wasedaw, que até tinha acabado de participar nos Jogos Asiáticos. Yokochi, um jovem ainda quando se debruçou sobre um projeto de aproveitamento técnico, tanto no ensino como no treino.

Na altura, as instalações já eram um pouco melhores. Algés tinha o seu tanque coberto e com água que era aquecida por intermédio de caldeiras a diesel e com a piscina descoberta de 33 metros.

Recordo no dia da sua apresentação num festival de natação a participação numa prova de demonstração de 100 metros livres, a que se assistiu pela primeira vez um nadador a fazer menos de 58 segundos. Foi o fim do mundo, com as bancadas super esgotadas de amantes da modalidade. Foi o princípio da revolução da natação portuguesa.

Lembro-me tão bem que havia nadadora que já estava para se retirar, mas entusiasmou-se e voltou aos treinos, como dizia o Mestre que a brincar se vai construir uma equipa de natação, conforme aconteceu.

Num saldo qualitativo, nasceram as grandes feras da modalidade desses tempos no Algés, como Eurico Sergei, Fernando Madeira, Eduardo Barbeiro, José Borja, José Sacadura, Felga Ribeiro, Eduardo José de Sousa, António Bessone Bastos, Vito Fonseca, Vaz Jorge, Eurico Perdição, José Vicente Moura, Miranda Rodrigues e muitos mais como Lucília Angeja, Luísa Bessone Bastos e muitas outras.

Aqui perguntamos se nestas alturas que não existiam infraestruturas para tirar rentabilidade, onde poderia chegar estes e outros como Mário Simas, os irmãos Silva Marques, Artur Mendes Silva, Batista Pereira, Luís Lopes da Conceição, se usufruíssem as condições de rentabilidade que hoje se possuem podiam dar?

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