O que vamos ver – e não vamos ver – nos Mundiais de Hangzhou

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Estamos já a poucos dias do início dos Campeonatos Mundiais de piscina curta em Hangzhou, onde os amadores do nosso desporto poderão ver em ação os melhores nadadores mundiais. Bem, todos os melhores não, dado que alguns deles, seja pela sua recente participação na Copa do Mundo da FINA, disputada em piscina curta, ou pelo seu desejo de ter umas curtas ferias antes de começar a preparar-se para os Mundiais de piscina longa, demitiram-se de participar nestes Mundiais de piscina curta. São nomes muito importantes, incluindo recordistas mundiais, campeões olímpicos e mundiais, que vão deixar estes Mundiais um pouco mais fracos. Por contra, vamos ter duelos muito interessantes entre os que estarão em Hangzhou, e é por isso que vamos fazer uma breve revisão do que vai poder ver-se nestas seis jornadas de Hangzhou.

Nas provas de 50 e 100m livres femininos, são mais importantes as ausências que as presenças, das quais as mais importantes são as holandesas Ranomi Kromowidjojo (que defende o seu título dos 50m e é a recordista mundial) e Kim Busch, que não devem ter muitos problemas para se impor às suas rivais, tendo em conta que não estarão na linha de saída as irmãs Campbell (Bronte e Cate, recordista mundial da prova), a sueca Sarah Sjöström, a dinamarquesa Pernille Blume ou a norte-americana Simone Manuel, assim como a australiana Brittany Elmslie (campeã dos 100m em 2016).

Nos 200m livres, vamos ter, seguramente, um grande duelo entre a italiana Federica Pellegrini, que defende o seu título de 2016, e a holandesa Femke Heemskerk, aproveitando as ausências de Sjöström (recordista mundial da prova), a australiana Emma McKeon, a canadiana Taylor Ruck e a norte-americana Katie Ledecky, que parece não gostar muito das competições internacionais em piscina curta.

Nos 400 e 800m livres, não estará Ledecky (como não esteve nos três anteriores Campeonatos), ainda que estará para defender os seus dois títulos a sua compatriota Leah Smith, que deverá defrontar a australiana Ariarne Titmus, a húngara Boglarka Kapas, a alemã Sarah Kohler e a italiana Simona Quadarella, mas, principalmente, as chinesas Binglie Li, e Wang Jianjiahe, recente recordista mundial dos 400m com 3,53″97 e com a segunda melhor marca de sempre nos 800m com 7,59″50, que deveria ser a grande favorita das duas provas, enquanto a holandesa Heemskerk, se nadar esta prova, pode ser uma aspirante, se não ao título, sim ao pódio.

Nas provas de costas, defenderão os seus títulos a brasileira Etiene Medeiros nos 50m e a húngara Katinka Hosszu, 100 e 200m. A brasileira terá como principais rivais as holandesas Kira Toussaint e Maaike de Waard (mas também Kromowidjojo, se nadar esta prova), e a australiana Emily Seebohm. A húngara, pela sua parte, deverá lutar com as australianas Minna Atherton e a indicada Seebohm, a italiana Margherita Panziera, a russa Darya K. Ustinova, e a norte-americana Kathleen Baker, em duelos muito competidos e de resultados incertos, nos quais não estará a canadiana Kylie Masse, que era outra das grandes favoritas.

Nos bruços, não defendem os seus títulos a norte-americana Lilly King, nos 50m., nem a britânica Molly Renshaw, nos 200m., mas sim a jamaicana Alia Atkinson, o dos 100m., que vai ser a grande favorita dos 50 e 100m., face à lituana Ruta Meilutyte, as norte-americanas Katie Meili e Hanna Mollis, e a catalã Jessica Vall, tendo em conta que tão pouco estará em Hangzhou a russa Yuliya Efimova. Nos 200m., sem a dinamarquesa Rikke Pedersen e a russa Efimova, não há uma grande favorita, com o titulo a disputar-se entre a chinesa Shiwen Ye, Jéssica Vall, a russa Maria Temnikova, ou a japonesa Miho Takahashi, entre outras.

Não defende o seu título de campeã dos 50m mariposa a dinamarquesa Jeanette Ottesen, e tendo em conta que também não estará lá a japonesa Rikako Ikee, nem a sueca Sarah Sjöström (dupla recordista mundial nos 50 e 100m.) isto pode facilitar a vitória da holandesa Ranomi Kromiwidjojo, uma das poucas que pode nadar nos 24″, tendo como principais rivais à francesa Melanie Henique, a chinesa Yufei Zhang e a norte-americana Kelsi Dahlia (ex-Worrell).

Não sabemos ainda se a húngara Katinka Hosszu vai nadar os 100 e 200m. mariposa (ou vai nadar as três provas de costas e estilos), mas acreditamos que poderia ganhar pelo menos os 100m., enquanto os 200m. (nos quais não vai estar a recordista mundial, a espanhola Mireia Belmonte) já o vai ter mais difícil, face à japonesa Suzuka Hasegawa, a norte-americana Dahlia e a chinesa Zhang.

Nos estilos, finalmente, a húngara Katinka Hosszu é a grande favorita para as três provas da modalidade. As suas grandes rivais (Belmonte, a japonesa Yui Ohashi ou a norte-americana Melanie Margalis) ficaram em casa a ver os Campeonatos pela TV, facilitando as suas possíveis vitórias.

Masculinos. Ainda que defendem os seus dois títulos o holandês Jesse Puts, 50m., e o lituano Simonas Bilis, 100m., há só um nome, o do russo Vladimir Morozov, que merece todos os favoritismos. A sua regularidade por debaixo dos 20″ nos 50m., e nos 46″ nos 100m. (com estes grandes e recentes 44″95 nos 100m.) o convertem no máximo favorito das duas provas, ainda que deverá superar nomes tão importantes como os do britânico Benjamin Proud, os norte-americanos Caeleb Dressel, Michael Andrew e Blake Pieroni, o veterano brasileiro César Cielo, o polaco Pawel Juraszek, o italiano Marco Orsi e o australiano Cameron McEvoy, entre outros. Nos 200m., não estará na linha de saída o coreano TaeHwan Park, que terá Pieroni, o sul-africano Chad LeClos, os russos Aleksandr Krasnykh e Mikhail Vekovishchev, e o brasileiro Luiz Melo, sem esquecer-nos do lituano Danas Rapsys, alguns dos chamados a suceder-lhe nesta prova. Faltam, evidentemente, grandes nomes nestas três prova: o australiano Kyle Chalmers (campeão olímpico dos 100m.livres) ainda que o seu rendimento baixa muito quando nada em piscinas curtas, o norte-americano Nathan Adrian, campeão olímpico dos 100m. em Londres-2012, ou o chinês Yang Sun, campeão olímpico dos 200m., entre outros.

As duas provas de fundo, 400 e 1.500m.livres também vão ter novo campeão, dado que o coreano Park também não vai nadar estas duas provas (o 2016 ganhou os 200, 400 e 1.500m.), e que vai dar lugar a uns grandes duelos para ver quem é o campeão: nos 400m., temos os dois russos, Krasnykh e Martin Malyutin como favoritos, por diante do italiano Gabrielle Detti (se é que já recuperou totalmente da sua lesão do ombro), juntamente com o checo Jan Micka, o ucraniano Mykhaylo Romanchuk, ou o norte-americano Zane Grothe, ainda que se trata de uma prova muito aberta, sem nenhum grande favorito. Os 1.500m. vai ter outro grande duelo entre os italianos Detti e Gregorio Paltrinieri, juntamente com Micka, Romanchuk, Maliutyn e o norueguês Henrik Christiansen, os máximos favoritos. Não vão nadar em Hangzhou nadadores importantes como, entre outros, o australiano Mack Horton, campeão olímpico dos 400m., ou o chinês Yang Sun, prata olímpica nos 400m., e campeão olímpico dos 400 e 1.500m. em Londres-2012.

Costas. Não vai defender o seu título dos 50m. o japonês Junya Koga, o que si vão fazer o australiano Mitch Larkin, nos 100m., e o polonês Radoslaw Kawecki nos 200m. Contra todos eles o chinês Jiayu Xu, o homem que tem dominado quase todas as provas da Copa do Mundo, vai tentar impor-se a todos os seus rivais ganhando as três provas. Contra ele, nos 50 e 100m., o brasileiro Guilherme Guido, os russos Kliment Kolesnikov e Evgeny Rylov, e os dois norte-americanos, Ryan Murphy (cremos que o único que pode ganhar o chinês) e o veterano Matt Grevers, com os seus 33 anos, tentaram não ser vencidos. Nos 200m., alem dos já ditos, estará também o polaco Kawecki, e algum outros, ainda que, para nós, o favorito é o chinês.

Bruços. Tanto o sul-africano Cameron van der Burgh nos 50m., como o alemão Marco Koch nos 100 e 200m., vão defender os seus títulos. Ausente o britânico Adam Peaty (outro que tão pouco gosta muito das piscinas curtas), deixa bastante abertas as três provas, com favoritismo para o atual campeão, Van Der Burgh (deve fazer valer a sua experiência), e os brasileiros João Júnior e Felipe Lima nos 50m., por diante dos russos Oleg Kostin e Kirill Prigoda com alguma possibilidade para o bielorrusso Ilya Shymanovich; nos 100m., podemos acrescentar os nomes do japonês Yasuhiro Koseki, do alemão Koch, e do chinês Zibei Yan, enquanto para os 200m., ausente o russo Anton Chupkov, o título deve estar entre o grupo de Prigoda, Koseki, o outro russo, Dorinov, Shymanovich e o alemão Koch.

Mariposa. Acho que vai ser difícil que o sul-africano Chad LeClos possa repetir o seu triplo título do 2016 nesta especialidade. Nos 50m., devera enfrentar o recente recordista mundial, o brasileiro Nicholas dos Santos, 38 anos e os seus grandes 21″75, e ainda vai ter, seguramente, o duelo com o russo Vladimir Morozov. Nos 100m., o sul-africano vai ter luta com o chinês Zhuhao Li, e o francês Mehdy Metella, e o norte-americano Caeleb Dressel, que o podem obrigar a estar perto do seu recorde mundial, 48″08, enquanto nos 200m., vai ter a oposição do japonês Daiya Seto, do chinês Li, e, possivelmente, do brasileiro Vinicius Lanza, se repita a sua atuação dos Campeonatos Nacionais, assim como do russo Alexander Kharlanov.

Finalmente, nos estilos, vai defender o norte-americano Michael Andrew o seu título dos 100m., ainda que o favorito seja o russo Vladimir Morozov, prova da qual tem o recorde mundial (a ponto de descer já dos 50″) com muita vantagem sobre os seus rivais, o que não quer dizer que possa confiar-se; nos 200 e 400m. esperam-se dois interessantes duelos entre os dois campeões mundiais, o chinês Shun Wang, dos 200m., e o japonês Daiya Seto, dos 400m., na teoria muito superiores aos seus outros rivais, e que vão lutar por revalidar cada um deles o seu título, e tentar arrebatar-lhe o outro. Encontra-se a faltar nestas duas provas o norte-americano Chase Kalisz, duplo campeão mundial, assim como o outro japonês, Kosuke Hagino, campeão olímpico dos 400m.

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