Números do campeonato nacional da 1ª divisão – Parte III Superioridades

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Este artigo é focado apenas nas superioridades numéricas. Será que existe uma tendência clara na organização das equipas nesta fase do jogo?

Eu venho dando uma especial atenção às eficácias e número de expulsões temporárias nos meus artigos. Será que este momento específico de jogo condiciona realmente de forma direta os resultados, sem considerar as alterações estratégicas provocadas pelo acumular de expulsões?

Vamos aos números, tendo como base as médias do campeonato nacional da 1ª divisão masculina 2017/18…

– 23% das posses de bola totais acabam em golo.

– este valor diminui para os 20% se for descontadas as posses de bola que resultam em 6×5 e os golos que estas originam.

– 15% das posses de bola totais originam superioridades numéricas.

– 34% das expulsões temporárias termina em golo.

– o peso dos golos em 6×5 relativamente aos golos totais é de 22%

Como se pode verificar, as expulsões temporárias têm preponderância nos resultados finais. Antes de possuir estes dados concretos, a minha perceção era bem superior à realidade das últimas 3 épocas. Sempre pensei, por exemplo, que o peso nos golos totais era bem superior…

Por estes motivos, eu passei a organizar os dados estatísticos de uma forma diferente nas minhas análises às superioridades numéricas. Principalmente para planeamento de treino.

Divido os momentos de finalização em 5 blocos, cada um com 5 segundos, sendo o último apenas dos 21 aos 24 segundos.

É extremamente comum ouvir durante o jogo, da parte dos treinadores e jogadores, o famoso “está igual” quando terminam os 20 segundos das expulsões temporárias. Mas será mesmo assim?

Como se pode verificar na tabela, aproximadamente 20% dos golos marcados em superioridade são entre os 21 e os 24 segundos. Significativo! Nas 2 últimas épocas praticamente não existiram golos após os 24 segundos.

tabela IX

Os 2 últimos blocos são responsáveis por 50% dos golos são marcados. O valor mais baixo está entre os 6 e os 10 segundos.

Este tipo de gráfico também me levou a questionar e reorganizar os meus tempos de treino nas últimas épocas. Encontrei em várias equipas tabelas bem interessantes. Deixo 2 exemplos distintos que obrigam a uma preparação diferente. Não revelo os clubes por estarem neste momento em competição direta.

tabela X

tabela XI

A primeira tabela demonstra uma equipa com uma opção clara de “trabalhar” o seu 6×5 para os últimos segundos. Relativamente aos seus adversários, eles também conseguiram finalizar precisamente nos mesmos blocos.

A segunda tabela apresenta uma equipa completamente distinta, principalmente na comparação com os momentos de finalização dos seus adversários. Os blocos com menos golos marcados coincidem precisamente com os blocos onde sofrem mais golos.

Estes 2 gráficos demonstram um efeito de treino? Estarão demasiado focados numa acção de jogo?

Das 9 equipas que participaram em 2017/18 no campeonato nacional da 1ª divisão:

– 2 apresentam as características da Equipa A

– 6 têm gráficos idênticos à Equipa B

– 1 apresenta um misto das 2 equipas

Observando os blocos:

– a equipa mais finalizadora no 1º bloco é o Fluvial

– o Fluvial também é a equipa com mais golos no 2ª bloco

– no 3º bloco aparece o Povoense com uma grande diferença para todas as outras equipas

– o Vitória domina o 4º bloco, com vários clubes próximos

– o Fluvial é claramente a equipa mais finalizadora no 5º bloco

Nota: é completamente residual os golos marcados depois dos 24 segundos nas últimas 2 épocas.

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