Natação do Centenário do Belenenses

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O Clube Futebol “Os Belenenses” completa este ano o seu primeiro Centenário de existência ao serviço do desporto. Olhando a grande grandeza histórica do clube, como um dos históricos ecléticos, com uma ação em diversas modalidades desportivas nos chamados anos 20 a 40, chamadas como “amadoras”.

Há 100 anos, o desporto estava longe de conhecer a dimensão social de hoje. O Belenenses, neste século, ajudou e muito a fazer o desporto aquilo que ele é hoje. As instalações de hoje não se comparam da altura do nascimento do clube de Belém. Neste caso, a prática das modalidades aquáticas, natação e Water-Polo, estes a serem praticados em docas e rios por todo o País.

Nas docas tinha as suas consequências, as marés, muitas vezes se treinava com marés baixas, que era raras vezes em que havia acidentes de cortes nas mãos e nos pés nas rochas e ostras, assim como a qualidade das águas, com óleo e gasolina, que os barcos deixavam ao navegarem dentro das docas. Só o muito amor pela modalidade se assistia a muitos nadadores a treinarem e ao mesmo tempo a sangrarem.

Só após os anos 30 ou mais, quando começaram a surgir algumas piscinas, 16 e 33 metros, descobertas a funcionarem três a quatro meses por ano.

Belenenses é por isso uma instituição que sempre se debateu com seu amadorismo. Os seus projetos futuros debatiam-se sempre com as crises, com o futuro sempre incerto. Mas, foram muitos belenenses que pelo seu entusiasmo de clubismo conseguiram vencer muitos obstáculos de concretizarem os seus objetivos nas áreas de formação.

Nesta minha visita ao meu baú de memórias, encontrei uma forna de fazer uma apreciação dos factos mais relevantes dos anos 20 e 40 de homens e mulheres que tão dignamente representaram a natação do clube, graças à escrita que Ana Linheiro nos deixou.

1926 – Ano que o Belenenses fez a sua inscrição na Liga Portuguesa de Natação.

O Belenenses foi um dos pioneiros no Water-Polo em Portugal e teve sempre equipas inscritas nas três categorias e na natação pura.

João Silva Marques teve um início época como um dos melhores nadadores que existiam em Portugal, era um autêntico polivalente, participava em competições desde os 33 metros às maiores distâncias, como por exemplo às grandes travessias, era um assíduo nadador completo e ainda um bom executante a jogar Water-Polo.

Nesta época, por altura dos Campeonatos nacionais, disputados na Doca de Alcântara, consagrou-se campeão nacional na prova de 200 metros bruços, com a marca, 3.13.41, que constituía novo recorde de Portugal que superou o anterior que era 3.17.00. Neste ano, Roque Montenegro, outro homem das grandes distâncias, nadou de Vale de Zebre ate ao Mom Sucesso, ele e Delfim da Cunha eram as grandes figuras das águas abertas, na altura eram assíduos frequentadores da grande travessia de lisboa entre Xabregas e Algés, pequena travessia de Lisboa Terreiro do Paço e Algés e a grande travessia do porto de 12km. Esta feita por estafetas de 3 nadadores.

1928 – Nos regionais, na doca de Alcântara, volta a evidenciar-se na sua prova favorita de 200m brucos com a marca de 3.10.23 – nesta época venceu a travessia do Tejo entre Trafaria e Algés. Delfim da Cunha foi 2.º classificado. Neste ano o comandante Américo Tomás foi eleito presidente da Natação do Núcleo de Lisboa da Federação Portuguesa de Natação.

1929 – Delfim da Cunha foi 2.º classificado da travessia de Bugio a Oeiras. Em setembro Delfim da Cunha foi 2.º classificado na travessia de Lisboa. Na prova de Cascais a Estoril foi vencedor João Silva Marques.

1930 – Na travessia do Tejo, entre Barreiro e Lisboa, Delfim da Cunha foi vencedor. Uma semana depois, João Silva Marques foi vencedor da travessia do Seixal com Otaviano Benedito em 2.º. No dia de Natal, Delfim da Cunha venceu a travessia do bugio a Santo Amaro de Oeiras. Entretanto, o Belenenses continuava a participar nos regionais de polo aquático na 1, 2 e 3 categorias.

1931- Em agosto, João Silva Marques coloca a sua marca nos 200m bruços em 3.00.30. Com esta marca, prepara-se, as expensas do clube, para os JO de Berlim. Neste mês visita Portugal uma equipa do clube de natação de Barcelona, João volta a valorizar-se na sua prova com novo recorde de Portugal.

1932 – A partir de junho, o Belenenses participa numa série de provas distribuídas por vários recintos aquáticos, Doca de Alcântara, na piscina do Algés de 33m e o Nacional com 16m. Em agosto, derivado a um grave conflito da natação que deu origem ter afastado da federação todos os elementos, entre eles o comandante Américo Tomás.

1933 – Na consagração da federação foram considerados melhores nadadores da época anterior Delfim da Cunha e a estafeta de 4×200 livres, tal como João Silva Marques.

Para as provas de apuramento de nadadores que iriam participar na competição Espanha Portugal, João Silva Marques era o único do clube selecionado. Delfim da Cunha, nesta época, mostrou mais uma vez as suas capacidades como nadador de longa distância e estabeleceu o recorde da prova Poco Bispo a São Pedro do Estoril.

1934 – João Silva marques foi incontestavelmente um dos valores na natação. Conseguiu êxitos na especialidade de bruços e assistiu-se à flagrante injustiça da sua não inclusão na equipa de Portugal para os JO Berlim depois de ter batido o recorde ibérico.

1935 – Nos regionais de Lisboa, João Silva Marques, ao fazer 3.00.15, bateu o recorde nacional.

1936 – Na prova dos 400m bruços, João Silva Marques bateu o recorde nacional ibérico com a marca de 6.25.25, tendo batido o anterior 6.26.15. Aqui mostrou o seu bom momento de forma, mesmo assim não foi selecionado para os JO Berlim. No water polo, o Belenenses venceu o Sporting por 7-1.

1937 – João Silva Marques abandonou o Belenenses e pediu a sua transferência para a CUF, com o objetivo de conseguir um emprego naquela empresa. Este era o esquema habitual na altura de angariar atletas para as suas equipas. Neste ano inicia-se os treinos no tanque Jardim do Ultramar.

1938 – Travessia do Tejo Delfim da Cunha foi 3.º, Orlando Serra 6.º e Afonso Domingues 8.º. Na travessia de Cascais Estoril venceu Delfim da Cunha.

1939 – Na Travessia do Tejo, Delfim da cunha foi 5.º classificado, sendo os colegas 7.º, 8.º e 10.º. Travessia de Vila Franca-Alhandra, francisco Gramacho foi 13.º e seus colegas 14.º e 18.º. Por equipas, foi 3.º classificado.

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