Nasceu uma estrela

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Nasceu uma estrela… perdão constelação!

No decorrer da semana passada acompanhei com entusiasmo o campeonato mundial de natação. A verdade é que não desiludiu. Foi um campeonato muito forte, principalmente num ano de ressaca olímpica em que não eram esperadas tantas boas marcas.

A verdade é que se alguns valores se confirmaram, outros apareceram com vontade de dominar o próximo quadriénio.

Podia citar Adam Peaty ou Sarah Sjostroem como os nadadores que mais me impressionaram, mas para ser sincero houve outro nome que captou toda a minha atenção e imaginação. Acho que chega até a ser injusto e egoísta da minha parte passar ao lado dos 25.95 aos 50B de Peaty ou dos 51.71 de Sjostroem nos 100L, mas não há volta a dar, o nome dos campeonatos foi Caeleb Dressel. Posso dizer com toda a certeza que o último nadador que me deixou absolutamente “colado” à televisão desta maneira tinha sido Michael Phelps.

Dressel não conseguiu nenhum recorde do mundo individual esta semana e ainda assim foi o nadador que mais me surpreendeu. Este americano é destaque desde as camadas mais jovens e na verdade oiço falar dele desde que tinha 15/16 anos e foi finalista no campeonato americano de longa ou por ter sido o primeiro atleta de 16 anos a nadar as 50 jardas em menos de 19 segundos. Pelo meio parou 6 meses porque precisava de descomprimir, voltando depois para ser campeão do mundo de juniores em 2013 aos 100L. Chegando a 2016 conseguiu vaga na equipa olímpica e trouxe do Rio duas medalhas de ouro de estafeta.

Sempre soube que Dressel era um nadador de muito talento. Sabe-se, desde que entrou para a faculdade, que é também um nadador de muito trabalho. E quando se junta a fome com a vontade de comer… acontecem coisas fantásticas. Foram 7 os ouros que trouxe de Budapeste, igualando o feito de Michael Phelps em Melbourne 2007. Mas sejamos justos, Phelps nesses campeonatos trouxe 5 medalhas de ouro individuais e 2 de estafeta (e só não trouxe a terceira porque Ian Crocker desclassificou na eliminatória) ao passo que Dressel trouxe 3 medalhas de ouro individuais e 4 de estafeta.

A maneira como o jovem americano atuou nesta semana está reservado apenas aos melhores. Tinha uma aura de invencibilidade à sua volta, uma garra e uma determinação absolutamente demolidoras. As suas partidas e percursos destruidores, a autoridade com que ganhou as suas provas ou a sua contribuição para as estafetas foram surreais. O que dizer dos 21.15 aos 50L, mais fortes que a melhor marca de sempre fatos? E meia hora depois, o resultado que eu pensava só poder ver daqui a uns 8 anos, 49.86 aos 100 mariposa? O que é isto? Primeiro homem da história a nadar os 100M em menos de 50s sem fatos. Um resultado de deixar qualquer um de queixo caído, até o próprio recordista do mundo, Michael Phelps. E depois disto, terminar o dia com uma terceira medalha de ouro foi a cereja no cima de outra cereja no topo do bolo…

Dressel tem todas as qualidades para se tornar a próxima grande estrela da natação mundial, se é que já não o é. Passou do anonimato ao estrelato pelas performances, pelo carisma, pelo talento e pela garra que demonstra. Os seus resultados são fruto do seu enorme talento e também da sua capacidade de trabalho e determinação. E quando estas qualidades se juntam, não nasce uma estrela, mas sim uma constelação! Durante 6 dos 8 dias de campeonatos toda atenção orbitava em torno de Dressel.

Há quem grite hoje que Dressel será o próximo Phelps. Os mais comedidos e realistas chamam-lhe de Spitz versão 2.0. Já eu, digo categoricamente que somos uns sortudos se pudermos acompanhar este atleta nos próximos anos e que não será um segundo Spitz ou segundo Phelps, mas sim o primeiro Dressel!

Créditos da foto: Facebook da USA Swimming

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