Mário da Silva Marques, primeiro nadador olímpico português

  •  
  •  
  •  
  •   
  •  

Depois da nossa última história de um caso raro de quatro irmãos, que viveram em Sesimbra, nos anos 50, que foram os grandes impulsionadores da clássica travessia à Baía de Sesimbra que, no passado dia 5 de outubro, foram lembrados no decorrer da sessão da distribuição dos prémios referentes à travessia, um ato simbólico que muito sensibilizou todos os presentes.

Nesta nossa história, queremos citar outro facto pouco vulgar de três irmãos almadenses, terem sido, justamente, desportistas de gabarito impressionante, que souberam honrar a sua terra com a sua pátria.

O mais novo João da Silva Marques, que já demos a conhecer a sua história, o do meio, Francisco da Silva Marques, foi um jogador de futebol, que chegou a internacional e foi jogador de polo aquático.

O mais velho, Mário da Silva Marques, e o nosso biografado desta edição, e os seus resultados desportivos que nos deixaram impressionado e surpreendidos….

Sabíamos há muitos anos que o mais idoso do famoso trio de irmãos tinha sido um ótimo nadador, vencendo muitas provas, a nossa ideia era revelar a sua história.

Mário da Silva Marques nasceu na Cova da Piedade, em 23 setembro de 1901. Foi aluno da Casa Pia de Lisboa e foi nesta instituição que se fez homem e desportista e fez-se nadador nas terras do Restelo, num tanque.

Nas suas primeiras provas em participou em representação da Casa-Mãe. Na altura, os “Gansos” sentiam a falta de um clube que pudessem representá-lo e decidiram formar o Casa Pisa Atlético Clube, sua fundação foi em julho de 1920.

Jogos Olímpicos de Paris

Um facto mais saliente desta figura foi executada em 1924, nos VIII Olimpíada de Paris, onde lhe foi-lhe conferido ao participante Mário da Silva Marques o precioso documento que está assinado pelo Presidente do Comité Olímpico francês Conde Cioyr e pelo Presidente do Comité Olímpico Internacional Barão Pierry de Coubertin!!!! Este precioso documento está emoldurado em conjunto com medalhas mais importantes referentes a Campeonatos de Lisboa e Portugal e também a medalha da participação nos Jogos Olímpicos, na prova dos 200 metros bruços.

Desde 1920 até 1924, ano Olímpico, foi semeando sucessos atrás de sucessos, tantos com nadador e jogador de polo aquático, recordista, na prova de 400 estilos, quando era disputada por provas individuais, por 100 metros cada técnica e no final pela soma dos tempos se classificava o vencedor. Recordo que neste tempo ainda não existia a técnica de mariposa, esta era por uma técnica chamada (ower-arms), mariposa com pernada de bruços. Grande exibição na prova que foi disputada na doca de Alcântara, nesta altura não existiam piscinas em Lisboa, marca de 8.09.15 constituía novo recorde de Portugal.

Até que a 3 de julho de 1924, a bandeira portuguesa desfila garbosamente no Estádio de Colombes, em Paris. Os 36 homens que compõem a comitiva vivem o mais alto momento das suas vidas desportivas. Os concorrentes sabiam que não iriam vencer, mas o essencial era estar presente na maior manifestação desportiva de todo o Mundo e o Silva Marques, enorme campeão de belíssima compleição física, com 23 anos, era certamente o mais feliz de todos.

No juramento olímpico, solenidade impressionante, sentiu que atingiu a sua meta favorita, era um desportista realizado e imensamente feliz.

Participou na prova de 200 metros brucos, na 5″ série.  Estudioso como era da modalidade, sabia perfeitamente que não  tinha qualquer “chance”; os tempos dos adversários eram melhores do que o seu, portanto, o vencedor foi Linders (sueco) 3.03.2, 2″ Wisse (Suíça) 3.o3.o3, 3″ Heand (Nova Zelândia) 3.08.00, 4″ Ishida (Japão) 3.o9.o5, 5″ Muller (Checoslováquia) 3.22, 6″ Mário da Silva Marquês (Portugal), 3.22.15.

Um momento histórico para o nosso nadador ter confraternizado com o campeão Olímpico dos 100 e 200 livres, o norte-americano Johnny WEISSMULEER, que mais tarde viria a celebrizar-se no cinema com “O Tarzan”.

Um episódio que aconteceu nos Jogos em Paris, essa competição inesquecível, foi quando cheguei à piscina e fiquuei deslumbrado, nunca vira uma piscina a sério… e o que quero e treinar… não tinha treinador, então pedia, o delegado desportivo, Salazar Carreira, que me cronometrasse os tempos. Respondeu-me tempos?… Não estás já em Paris?… Além disso tenho mais que fazer nesta linda cidade. Fiquei muito pesaroso. Como era diferente a assistência aos atletas de outros países!!!

Sua ida para o Belenenses

Como se verifica, Mário da Silva Marques era um autêntico eclético, representou tão condignamente Casa Pia, Atlético Clube, Ginásio Clube Português e o Clube Futebol “Os Belenenses”, foi pioneiro da natação portuguesa e teve uma atividade que contribuiu de forma insofismável para o seu progresso e desenvolvimento e era digno praticante diversas modalidades. Na natação, em que era “Rei”, como outras modalidades, como luta, atletismo, futebol, remo e polo aquático.

Em 1925, é convidado por um numeroso grupo de amigos, do seu clube vizinho, Belenenses, funda assim a secção de natação.

Aceita o honroso convite e na companhia de Vicente Ricardo Domingos e Manuel Augusto Florêncio, inicia assim no popular clube de Belém uma modalidade que viria a frutificar, trazendo-lhe inúmeras glórias, e larga expansão para a natação do País.

Nesta altura, seu irmão João da Silva Marques, foi convidado para nadar pelo Belenenses.

Em 5 setembro de 1929, na doca de Alcântara, nos Campeonatos de Lisboa, a final da prova 200 brucos dos Nacionais, os dois irmãos estão apurados, Mário e o João, e a expetativa é enorme entre o público. Chamados os concorrentes, os irmãos ficaram lado a lado e antes do tiro da partida, ambos se abraçaram efusivamente. A corrida foi fantástica como já mais se vira. Luta cerradíssima, o Mário cede nos últimos metros e o seu irmão batera largamente o recorde nacional, porque isso a ele o obrigara…

Está concluído este meu contributo. Dá-me inteira satisfação ter várias vezes contactado com este senhor que muito me aconselhou como era a vivência da natação  quando comecei a minha passagem pelo clube da Cova da Piedade.

Comentários