Centenário do Belenenses – Tanque Caldo Verde, Centro de Recrutamento de prometedores nadadores

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Considerando-se o muito que o Belenenses já então fazia a favor da natação, é-lhe concedida a autorização para utilizar o Tanque do Jardim do Ultramar, que serviu para mostruário de crocodilos quando da Exposição do Mundo Português.

Era como um dia escreveu Vítor Serpa, “uma fingida piscina  que todavia servia, precariamente é certo, para os jovens da Ajuda e Belém aprenderam a nadar através dos ensinamentos dos treinadores que o Belenenses para ali destacava “aqui se diga, se chamava caldo verde derivado a enormes quantidades de verduras que se criavam no fundo e nas paredes que todos os anos pelo início da época  os dirigentes e os nadadores faziam as limpezas, também a enormes quantidades de peixes existentes, muitas eram as vezes que acompanhavam as braçadas dos nadadores. Mais se diga que o Tanque tinha 80 metros divididos por duas partes de trinta metros, tinha a dividir a escadaria que dava entrada para o Museu e debaixo tinha uma caixa a onde se encontravam os peixes. Também este tanque servia para no período do verão, no tempo de muito calor, de fornecer água para regar o Jardim do Palácio da Presidência da República.

Havia alturas em que se treinava com apenas um metro de água, com as mãos à roçar no fundo, que fazia levantar lodo e a verdura, apesar destes contratempos nunca se deixou de treinar. Este tanque passou a ser mais conhecido como “Caldo Verde” por várias gerações que por lá passaram e foram muitas centenas. Entre elas o atual diretor do jornal A BOla Vítor Serpa, aprendeu ali a nadar, tendo participado em provas como principiante.

A cedência do Tanque deu como consequência imediata das escolas, que teve muita adesão de muita gente jovem dos bairros periféricos. Daqui saiu muita gente que levou o nome do clube bem alto na natação competitiva nacional, e no polo aquático. Para que isto acontecesse ninguém pôde calcular o que se sofreu e o que se fez com tão pequenos recursos.

Entretanto, da geração de antigos nadadores, nasceu uma geração de dirigentes e até treinadores.

As tarefas então distribuídas, no princípio do ressurgimento, os nadadores eram, simultaneamente, secionistas e professores das escolas. Armando Mendes, que cometeu a proeza de ser campeão nacional, em mariposa, quando a equipa do Belenenses era apenas ele e mais seis.

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Nestas alturas, surgiram nadadores que começaram a darem nas vistas, como Edmundo Leal da Silva, Alberto Morais, Lúcio Faria, Orlando Nascimento, José Modesto, Nuno Sampaio, Homero Serpa, Humberto Azevedo, Carlos Casinhas, Manuel Conceição, Jorge Ferreira, António Soares. A este grupo se juntaram outros mais novos e outros que vieram de outros clubes. Este aconteceu na época de 1954 como foi o meu caso, vindo do Adicense e seguiu-se José Manuel Pintassilgo, Algés, Albano Fidalgo, Estoril. Assim, surgiram depois os primeiros resultados de relevo a nível regional como nacionais. Assim, como ótimos resultados nas provas de rio e mar, e bons resultados em polo aquático. Assim como nas provas de rio e mar e bons resultados no polo aquático.

A natação feminina começou a dar nas vistas, com as categorias de formação a evidenciarem-se, derivado ao nível do ensino, por parte dos técnicos, que muitos deram os próprios nadadores que no final dos treinos se prontificava para os ensinar as técnicas mais difíceis. O grupo era muito bem constituído e saíram bons valores, como Cidália Nogueira, Maria João Queimado, Maria Manuela Viegas, Maria Virgínia, Natalina Silva, Silvina Ramalheira, Maria Helena Delfina, Aida Matoso, Maria Astrides, Manuela Pires, Maria Antonieta, Rosa Nogueira, Fernanda Antunes, Maria Luiza Flecha Gonçalves, Palmira Godinho Pais e muitas outras que vieram mais tarde a integrarem-se na equipa.

No próximo capítulo do Centenário do Belenenses, nos anos 60, teve um nadador com a melhor marca Mundial do Estreito de Gibraltar. Durante 45 anos, executada no mês de setembro de 1962, mês do nascimento do Clube Futebol “Os” Belenenses.

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