Balanços responsáveis

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Cruzo-me ao longo da minha carreira jornalística com milhares de balanços de eventos, quer sejam desportivos ou de outro género. Esmagadoramente, os responsáveis das organizações “balançam” para o positivo, mesmo que os resultados tenham sido uma catástrofe. Conseguem pincelar coloridamente um cenário negro, têm a habilidade de transformar autênticos desastres em discursos que em nada traduzem a realidade dos factos.

Muitas vezes fazem-no para sua proteção, porque quem está acima assim o exige.

Há exceções, claro, e podemos encontrar na natação, nomeadamente com José Machado que, com um discurso direto e frontal, assume, com seriedade, as responsabilidades dos resultados. Não só o fez no recente Campeonato do Mundo em Budapeste, em que assumiu que os resultados ficaram “aquém do que a direção técnica queria”, apesar de se ter tratado de “uma prestação inédita”, que bem lembrou, como já o tinha feito no Europeu de Juniores em Netanya quando afirmou que a participação portuguesa “não foi positiva” e que todos os parâmetros mais significativos, sob o ponto de vista objetivo, “são negativos”.

Considero que se deve valorizar aquilo que de bom se consegue, mas nunca encapotar maus resultados. Felizmente, José Machado tem sido um bom exemplo daquilo que um DTN deve dizer quando se faz um balanço de uma competição desportiva.

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